Olhos de Ressaca.
Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.
Mais um capítulo dramático, triste e carente da minha vida. Já fazia tanto tempo que o outro tinha terminado que até esqueci como essa sensação de solidão é ruim.
Antes, rodiada de amigos e festas a todo momento, embaladas com drinques e cervejas baratas. Agora, sozinha, a ressaca pesando na alma, mas não pela bebedeira do final de semana, mas por olhar ao redor e entender a dor e o significado de ‘solidão’.
E esse capítulo veio bem mais profundo, aterrorizante e solitário do que o outro. ”Porque essa cara?” pergunta um amigo. Penso em mil coisas, em desabar em lágrimas, em jogar tudo pra fora, soltar tudo aos quatro ventos, expor a dor e a agonia que carrego a tanto tempo, mas pra que? Afinal, isso não é problema de ninguém, além de mim mesma. E por fim ”To de tpm, deve ser isso”.
E as pessoas acreditam nessa mentira, o que machuca mais um pouco ver que ninguém vai conseguir pular essa barreira que eu tenho e que muito menos eu vou deixar que pulem. Seria injustiça dizer que nunca tentaram, já chegaram até a ‘abrir o portão’, mas minha.. sei lá, incapacidade, frieza e até meu orgulho, tem a tendencia de expulsar, repelir e reprimir tudo e todos que tentam. Medo, muito medo e só medo, de que se alguém chegue lá e descubra toda a verdade, desista, me abandone e então vire só mais uma história triste, que será trancada a sete chaves, junto com tantas outras.”
Sempre tem um Céu Azul - ODEIO sentir Medo.
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